junho 30, 2017

E cada um seguiu seu próprio caminho na estrada da vida

foto de uma estrada

"É impressionante como as coisas mudam com facilidade, como é fácil começar na mesma estrada que sempre pega e parar em um lugar novo." - Antes que eu vá / Lauren Oliver


Quando vi essa figura, pensei na palavra caminho e lembrei de meus irmãos. Somos um total de sete, quatro homens e três mulheres. Todos criados, mas nem todos casados. Cada um tem a sua vida, no caminho que escolheu.

Nunca fui dada a disputas com meus irmãos, talvez os mais novos tenham tido isso entre si. Lembro que alguns dos garotos gostavam de brincar de luta.
Minha mãe teve primeiro um filho homem e eu sou a segunda filha. Em seguida veio outra mulher, então, eu e ela sempre fomos mais próximas uma da outra. Sempre fomos amigas e na época de adolescência e juventude, compartilhávamos nossas roupas. Eu emprestava algumas para ela e ela me emprestava algumas de vez em quando. Era muito legal essa troca que fazíamos. A mais nova é mais de 12 anos mais nova que eu e com ela nunca pude fazer essa interação. No entanto, a levei para viajar comigo quando fui ao Sul do Brasil e isso foi bem legal!

Analisando nossa vida em família, nunca fui muito próxima dos meus irmãos, talvez por serem mais novos que eu. Eu estava na faculdade aos 19 anos e tinha um irmão bebê em casa. A verdade é que eu não tinha tempo para eles, me dedicava à minha rotina de trabalho, estudos e nos finais de semana saía para me divertir. Os mais novos acompanhavam minha mãe para onde ela fosse.

O tempo passou, todos cresceram e hoje cada um tem sua própria vida. Recentemente li um texto de Ruth Manus que achei bem interessante e parte dele se encaixa bem à nossa história. Abaixo, cito apenas algumas partes do texto, mas se quiser, leia inteiro: Viver longe dos irmãos.


“...E então os anos passaram e finalmente saímos de casa. Nós ou eles, ou nós e eles. Carreira, estudos, casamento ou qualquer outra razão fez com que aquele velho ninho da discórdia passasse a fazer parte apenas da memória e não mais de um dia a dia conturbado.

Pareceu-nos, muitas vezes, na ignorância da infância ou na estupidez da adolescência, que a felicidade seria muito mais viável sem a presença diuturna daquelas criaturas que insistiam em invadir nosso espaço, apesar de todas as ameaças que julgávamos lhes fazer.

Hoje descobrimos que é extremamente dolorido ter que aproveitar a presença deles em eventos com hora marcada para terminar. Almoços, jantares, visitas. Que coisa sem cabimento. Eles têm hora para ir embora? Eu tenho hora para ir embora? Não, espera aí. Irmãos não foram feitos para ir embora. Foram feitos para ficar aqui, para podermos brigar sem pressa, ofender sem querer e amar sem prazo.
 
É bom saber que todos tomamos algum rumo, ainda que torto. É bom ver que a vida de cada um de nós caminhou. Mas é quase insuportável a ideia de tornar-se um espectador na vida de um irmão.

O problema é que a vida adulta não nos faculta o luxo do perdão automático, nem da memória curta. Talvez por isso o tempo nos obrigue a aceitar alguma distância. Talvez, depois de abandonar a infância, a distância seja exatamente o que nos mantenha mais unidos”.

Lembro que algumas vezes alguns dos mais velhos chegaram a perder trabalho de escola, destruído pelos mais novos. Também, nove pessoas dividindo um apartamento de dois quartos, não permitia ter quase nenhuma privacidade e organização. Hoje a gente ri de tudo isso, mas na época dava muita confusão.

Nos vemos algumas vezes ao ano somente. Uma visita nas férias, um aniversário, um casamento... Essas são as oportunidades que temos de estar juntos. Mas mantemos contato todos os dias através das redes sociais. Ainda bem que temos as redes sociais.

E cada um seguiu seu caminho. Às vezes acho que alguns deles poderiam ter escolhido melhor, que seriam mais felizes se tivessem feito de outro jeito. Não gosto de ver um irmão sofrer, quero sempre saber que estão bem, que conseguiram realizar seus sonhos. Enfim, cada um foi tomando um rumo na vida ou a vida foi dando um rumo para cada um. Mas sou quem sou ou o que sou hoje, porque essas pessoas tão especiais fizeram e fazem parte de minha história de vida.

Hoje em dia tenho muito mais contato com meus irmãos diariamente e quando nos encontramos é realmente uma festa, uma alegria imensa. Percebo que a distância não nos separou, pelo contrário, nos uniu mais do que quando morávamos todos juntos. Sou grata por cada um dos meus irmãos e os amo muito!

foto de família
Junto com nossa mãe, da esquerda para a direita por ordem de chegada ao mundo. O mais novo é o de camisa vermelha.

Esse texto faz parte do desafio Imagem & Palavra do Interative-se!
A imagem a qual fui desafiada a escrever, é a que está no topo da postagem.

Imagem & Palavra


52 semanas de gratidao


Este texto participa também da Blogagem Coletiva Semanal #52semanasdegratidão de Elaine Gaspareto, cujo objetivo é valorizar e compartilhar nossas pequenas e grandes alegrias... nossas vivências e aprendizados.




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4 comentários:

  1. Ótimo texto, Raquel. Gostaria de acrescentar que a família é acolhedora. Todos são muito simpáticos.

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  2. Que delícia ter família grande mesmo tendo as confusões normais na época em que todos eram mais novos. Muito bom ter uma irmão próxima que compartilhou infância e juventude. Muito legal manter o contato apesar de cada um ter seguido o seu caminho. Adorei o seu texto e a sua história.
    Cheguei na BC desta semana um pouco atrasadinha, mas cheguei com este post, caso você queria fazer uma visita. Acelera e pausa

    beijos
    Chris

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  3. Raquel, que família linda! As distâncias não existem quando a gente ama.

    Boa semana!!!


    beijossssss

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